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Filosofia da percepção

  • Apr. 10th, 2006 at 11:20 AM
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Esse é mais um daqueles posts técnicos, ok? O primeiro foi sobre sistemas neurais de ligação, o segundo foi um paper que eu escrevi sobre temporalidade em Husserl e Brentano. Esse terceiro é uma espécie de introduçãozinha à filosofia da percepção.
A filosofia da percepção é um microcosmo da filosofia da mente )
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Ok, terminei. Pra quem interessar, sob o corte. Existem algumas notas de rodapé, que eu incluo quando tiver paciência.
E agora, para o primeira atendimento de estágio.
A Experiência Subjetiva do Tempo em Husserl e Brentano: Contribuições das Neurociências )
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Feb. 22nd, 2006

  • 4:02 AM
wallyrugby
Nos últimos dias, lendo o Matéria e Consciência, do Churchland, andei formulando umas idéias acerca do problema da emoção na filosofia da mente e na neurofilosofia. Até onde eu sei, o único cara a questionar o papel da emoção nos queridinhos da filosofia, consciência e razão, foi o Damasio. Os seus argumentos são extremamente convincentes, e ele escapa com bastante perícia dos problemas da ciência cognitiva, como a questão do papel das emoções e do corpo no processo cognitivo. Eu pensei, na realidade, em alguns pontos a serem discutidos, e trombei com esse artigo; logicamente, toda a minha perspectiva de originalidade foi pro saco nesse exato momento, mas eu quero compartilhar com vocês a seguinte lista de pontos a serem incluídos nas reflexões de neurofilosofia acerca da emoção (quero deixar bem claro que ela é uma adaptação de pontos do artigo supracitado):
*Emoções são fenômenos tipicamente conscientes, mas normalmente envolvem mais manifestações corporais do que outros estados conscientes;
*As emoções variam em um grande número de dimensões: intensidade, tipo e alcance dos objetos intencionais, etc;
*Classicamente, as emoções são tomadas como antagônicas à racionalidade, mas têm um papel indispensável na determinação da qualidade de vida, tem um papel crucial na definição de fins e prioridades e na regulação da vida social.
A idéia de que o afeto é o dial do comportamento e da cognição parece bastante correta para mim.
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Dec. 14th, 2005

  • 6:30 PM
VG avatar
Breve momento de reflexões bestas. Estou na casa da minha namorada, e tá rolando uma festa no Bauru Tênis Clube, fazendo um barulho infernal. No momento, estou entre o desmaio de sono e a insônia provocada pela "música" que está sendo tocada – o ponto exato, diria Spider Jerusalém, para fazer jornalismo ou escrever posts para o lj –, concordando, a cada minuto que passa, cada vez mais com a tese adorniana de "regressão da audição". O que me motivou a escrever isso aqui – para além da impossibilidade de sono com essa merda – é o próprio repertório. Deitado na cama, os pensamentos foram germinando até uma idéia meio difusa acerca da pós-modernidade na nossa cultura. Motivada pelo repertório, porque há pouca coisa mais pós-moderna que o repertório colocado pela bandinha que está tocando na porra da festa: misturas inusitadas, mas sem referência, muito barulho por nada, a vitória da representação, a massificação da histeria em níveis nunca dantes alcançados. Esses tempos de Bulevar – com bandas que fazem questão de sequer ler as letras das músicas em inglês – me levaram à conclusão de que essa falta de referência – "I like the music more than the words", num sampler do Merda – é um misto de regressão adorniana com traços de cultura pós-moderna, com a vitória já referida da representação.
Alguns pontos acerca disso. Apesar do que queriam Deleuze e Guattari, a cultura pós-moderna é mais representacional do que a cultura moderna. Obviamente, a filosofia pós-estruturalista também o é, apesar dos protestos contrários dos esquizoanalistas. Como não o ser, baseando toda uma forma de pensar na mania francesa de que o meu discurso sobre o mundo é mais real do que o mundo? Na tradição pós-estruturalista, idealista-apesar-de-pregar-um-empirismo-antintelectualista, Feyerabend da vida? Me impressiono com as extensões desse pensamento na FAAC, por exemplo. Tomo como exemplo mais próximo (atual) a arquitetura: todo mundo lê Deleuze (ignorando, logicamente, o lado Guattari da esquizoanálise), um pensador de teorias cujas implicações alcançam basicamente a epistemologia e a psicologia (ainda que se pretenda fundador de um projeto “ético-estético”, dificilmente é possível encontrar-se uma preocupação política válida no projeto pós-estruturalista), com poucas reflexões para – por exemplo – a epistemologia do projeto. Ninguém mais lê Argan. Ninguém mais lê Artigas. Esses dois, quando se trata de projeto, são primores. Todos preferem ler o quê está na moda – no caso, Deleuze –, sem atentar criticamente para as implicações dessa esquizoanálise. Como não enxergar que as possíveis implicações práticas do pós-estruturalismo no campo da arquitetura já vêm sendo implementadas há tempos – em Las Vegas, ou na arquitetura de shopping centers – ? É muita cabacice.
Enfim, a coisa anda complicada no campo do pensamento e da reflexão. Mas nem sequer nesse campo esses caras se colocam, já que o antintelectualismo desse povo coloca o mundo como uma representação fundada nos sentidos (alguém mais percebeu a contradição? Ou fui só eu?). Quando discute-se esse ponto, é só falar alguma frasezinha sem sentido, bem no estilo Lacan, que as menininhas vão pagar um pau e você desbanca a discussão. Afinal de contas, em última instância eu sou só um mero positivista, com uma visão pragmática do mundo. Como posso eu discutir com esse pessoal?
Aliás, já que filosofia é a pauta aqui, e já que ela surgiu como questão em alguns posts e comentários anteriores – referentes ao escritório –, acho que, por hobby, vou escrever alguns dos meus pressupostos de filosofia da mente. Sabe como é que é, relação mente-corpo, processos emergentes, modularidade da mente, psicologia evolucionista, bla bla bla. Se bem que acho que eu não vou ter paciência pra isso.

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