Esse é mais um daqueles posts técnicos, ok? O primeiro foi sobre sistemas neurais de ligação, o segundo foi um paper que eu escrevi sobre temporalidade em Husserl e Brentano. Esse terceiro é uma espécie de introduçãozinha à filosofia da percepção.
( A filosofia da percepção é um microcosmo da filosofia da mente )
( A filosofia da percepção é um microcosmo da filosofia da mente )
- Location:Bauru
- Music:João Nogueira - Pimenta no Vatapá
Ok, terminei. Pra quem interessar, sob o corte. Existem algumas notas de rodapé, que eu incluo quando tiver paciência.
E agora, para o primeira atendimento de estágio.
( A Experiência Subjetiva do Tempo em Husserl e Brentano: Contribuições das Neurociências )
E agora, para o primeira atendimento de estágio.
( A Experiência Subjetiva do Tempo em Husserl e Brentano: Contribuições das Neurociências )
- Location:Bauru
- Mood:
tired
Nos últimos dias, lendo o Matéria e Consciência, do Churchland, andei formulando umas idéias acerca do problema da emoção na filosofia da mente e na neurofilosofia. Até onde eu sei, o único cara a questionar o papel da emoção nos queridinhos da filosofia, consciência e razão, foi o Damasio. Os seus argumentos são extremamente convincentes, e ele escapa com bastante perícia dos problemas da ciência cognitiva, como a questão do papel das emoções e do corpo no processo cognitivo. Eu pensei, na realidade, em alguns pontos a serem discutidos, e trombei com esse artigo; logicamente, toda a minha perspectiva de originalidade foi pro saco nesse exato momento, mas eu quero compartilhar com vocês a seguinte lista de pontos a serem incluídos nas reflexões de neurofilosofia acerca da emoção (quero deixar bem claro que ela é uma adaptação de pontos do artigo supracitado):
*Emoções são fenômenos tipicamente conscientes, mas normalmente envolvem mais manifestações corporais do que outros estados conscientes;
*As emoções variam em um grande número de dimensões: intensidade, tipo e alcance dos objetos intencionais, etc;
*Classicamente, as emoções são tomadas como antagônicas à racionalidade, mas têm um papel indispensável na determinação da qualidade de vida, tem um papel crucial na definição de fins e prioridades e na regulação da vida social.
A idéia de que o afeto é o dial do comportamento e da cognição parece bastante correta para mim.
*Emoções são fenômenos tipicamente conscientes, mas normalmente envolvem mais manifestações corporais do que outros estados conscientes;
*As emoções variam em um grande número de dimensões: intensidade, tipo e alcance dos objetos intencionais, etc;
*Classicamente, as emoções são tomadas como antagônicas à racionalidade, mas têm um papel indispensável na determinação da qualidade de vida, tem um papel crucial na definição de fins e prioridades e na regulação da vida social.
A idéia de que o afeto é o dial do comportamento e da cognição parece bastante correta para mim.
- Mood:
awake
Breve momento de reflexões bestas. Estou na casa da minha namorada, e tá rolando uma festa no Bauru Tênis Clube, fazendo um barulho infernal. No momento, estou entre o desmaio de sono e a insônia provocada pela "música" que está sendo tocada – o ponto exato, diria Spider Jerusalém, para fazer jornalismo ou escrever posts para o lj –, concordando, a cada minuto que passa, cada vez mais com a tese adorniana de "regressão da audição". O que me motivou a escrever isso aqui – para além da impossibilidade de sono com essa merda – é o próprio repertório. Deitado na cama, os pensamentos foram germinando até uma idéia meio difusa acerca da pós-modernidade na nossa cultura. Motivada pelo repertório, porque há pouca coisa mais pós-moderna que o repertório colocado pela bandinha que está tocando na porra da festa: misturas inusitadas, mas sem referência, muito barulho por nada, a vitória da representação, a massificação da histeria em níveis nunca dantes alcançados. Esses tempos de Bulevar – com bandas que fazem questão de sequer ler as letras das músicas em inglês – me levaram à conclusão de que essa falta de referência – "I like the music more than the words", num sampler do Merda – é um misto de regressão adorniana com traços de cultura pós-moderna, com a vitória já referida da representação.
Alguns pontos acerca disso. Apesar do que queriam Deleuze e Guattari, a cultura pós-moderna é mais representacional do que a cultura moderna. Obviamente, a filosofia pós-estruturalista também o é, apesar dos protestos contrários dos esquizoanalistas. Como não o ser, baseando toda uma forma de pensar na mania francesa de que o meu discurso sobre o mundo é mais real do que o mundo? Na tradição pós-estruturalista, idealista-apesar-de-pregar-um-empirismo-a ntintelectualista, Feyerabend da vida? Me impressiono com as extensões desse pensamento na FAAC, por exemplo. Tomo como exemplo mais próximo (atual) a arquitetura: todo mundo lê Deleuze (ignorando, logicamente, o lado Guattari da esquizoanálise), um pensador de teorias cujas implicações alcançam basicamente a epistemologia e a psicologia (ainda que se pretenda fundador de um projeto “ético-estético”, dificilmente é possível encontrar-se uma preocupação política válida no projeto pós-estruturalista), com poucas reflexões para – por exemplo – a epistemologia do projeto. Ninguém mais lê Argan. Ninguém mais lê Artigas. Esses dois, quando se trata de projeto, são primores. Todos preferem ler o quê está na moda – no caso, Deleuze –, sem atentar criticamente para as implicações dessa esquizoanálise. Como não enxergar que as possíveis implicações práticas do pós-estruturalismo no campo da arquitetura já vêm sendo implementadas há tempos – em Las Vegas, ou na arquitetura de shopping centers – ? É muita cabacice.
Enfim, a coisa anda complicada no campo do pensamento e da reflexão. Mas nem sequer nesse campo esses caras se colocam, já que o antintelectualismo desse povo coloca o mundo como uma representação fundada nos sentidos (alguém mais percebeu a contradição? Ou fui só eu?). Quando discute-se esse ponto, é só falar alguma frasezinha sem sentido, bem no estilo Lacan, que as menininhas vão pagar um pau e você desbanca a discussão. Afinal de contas, em última instância eu sou só um mero positivista, com uma visão pragmática do mundo. Como posso eu discutir com esse pessoal?
Aliás, já que filosofia é a pauta aqui, e já que ela surgiu como questão em alguns posts e comentários anteriores – referentes ao escritório –, acho que, por hobby, vou escrever alguns dos meus pressupostos de filosofia da mente. Sabe como é que é, relação mente-corpo, processos emergentes, modularidade da mente, psicologia evolucionista, bla bla bla. Se bem que acho que eu não vou ter paciência pra isso.
Alguns pontos acerca disso. Apesar do que queriam Deleuze e Guattari, a cultura pós-moderna é mais representacional do que a cultura moderna. Obviamente, a filosofia pós-estruturalista também o é, apesar dos protestos contrários dos esquizoanalistas. Como não o ser, baseando toda uma forma de pensar na mania francesa de que o meu discurso sobre o mundo é mais real do que o mundo? Na tradição pós-estruturalista, idealista-apesar-de-pregar-um-empirismo-a
Enfim, a coisa anda complicada no campo do pensamento e da reflexão. Mas nem sequer nesse campo esses caras se colocam, já que o antintelectualismo desse povo coloca o mundo como uma representação fundada nos sentidos (alguém mais percebeu a contradição? Ou fui só eu?). Quando discute-se esse ponto, é só falar alguma frasezinha sem sentido, bem no estilo Lacan, que as menininhas vão pagar um pau e você desbanca a discussão. Afinal de contas, em última instância eu sou só um mero positivista, com uma visão pragmática do mundo. Como posso eu discutir com esse pessoal?
Aliás, já que filosofia é a pauta aqui, e já que ela surgiu como questão em alguns posts e comentários anteriores – referentes ao escritório –, acho que, por hobby, vou escrever alguns dos meus pressupostos de filosofia da mente. Sabe como é que é, relação mente-corpo, processos emergentes, modularidade da mente, psicologia evolucionista, bla bla bla. Se bem que acho que eu não vou ter paciência pra isso.
- Mood:
bitchy - Music:Orchid - And the Cat Turned to Smoke
